A manchete de hoje do Jornal de Negócios (JdN) é de uma profunda leviandade. Ao afirmar que a Operação Furacão "apanha histórico do PS", o JdN optou pelo "sangue" que a novidade poderia alcançar nos mercados. Quem lê o título retira logo duas ilações: Henrique Neto, presidente da Iberomoldes, é do PS (não sei se ainda é, mas sei que não é um dos "históricos") e que foi "apanhado" a fugir ou cometer fraude fiscal. Para além de leviana, o JdN demonstra, com estas atitudes, que está desesperado... por audiências! Uma coisa: a Iberomoldes foi alvo de uma investigação. Será que prevaricou? É ético "condenar" na praça pública alguém que ainda não tem culpa provada? Ou o JdN tem provas do facto ou então é mesmo muito lamentável.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Zimbabwe

A cimeira Europa-África está quase a começar. Sou dos que pensa que é mais positiva a sua realização, do que os paladinos da Democracia que a querem transformar na cimeira Robert Mugabe. E insistem. É verdade que o presidente do Zimbabwe é um tirano, um anti-democrata. Mas será o único, em África? E no Mundo? Os jornais e muitos comentadores têm-se entretido a zurzir na cimeira porque Mugabe vem cá. E daí? José Eduardo dos Santos também não vem? E os outros todos? A meio de tanta hipocrisia só lamento que a diplomacia portuguesa siga, nalguns casos, caminhos dúbios, alinhando em hipocrisias. A China é só um exemplo.
Mas voltando a África, ignore-se Mugabe (o que não vai acontecer porque o "cheiro a sangue" transtorna a Imprensa), e abra-se a porta do diálogo, por mais pequena que seja.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Dos media, dos jornalistas, do país
Os poucos que me fazem o favor de ler neste espaço devem achar-me um radical contra a comunicação social e os jornalistas. Os que me conhecem sabem que não. Porque foi lá que "nasci" para a profissão. Por isso mesmo inquieto-me, revolto-me e enojo-me com o estado a que chegou a comunicação social. Ontem, de passagem pela SIC-N ouvi um Martim Avillez Figueiredo alterado, no seu comentário sobre as últimas do BCP. Eu, que em geral, não gosto dos seus comentários, parei o ouvi. Dizia ele que tudo se passa, naquele banco, de forma escandalosa. E que ninguém intervém! Pensei: mas onde, como e quando se intervém em Portugal? Acontecem as coisas mais mirabolantes, as trafulhices mais sujas, os negócios mais obscuros, e quase todos saem ilsesos. Chegamos a um ponto em que quase tudo se tolera, especialmente se se tratar de "peixe graúdo" em cena. Poucos, em Portugal, se demitem por terem prevaricado, desde políticos a empresários.
Mas o que têm os media a ver com isto? E os jornalistas? Investigar, denunciar, esclarecer. Tirando poucas excepções e olhando para as manchetes, está tudo dito. Temos uma comunicação social domesticada como nunca, que tem medo da concorrência, que não vai à luta, que não arrisca. E temos jornalistas que não o são. Julgam-se vedetas, contam a mesma "história" vezes sem conta para a mesma publicação e não desassossegam as "vacas sagradas" do regime. São vítimas, é verdade, de uma "fornada" que saiu das universidades para engordar redacções famintas por mão-de-obra gratuita. Mas acomodaram-se e tentam sobreviver à sombra do chefe, que usa e abusa da fragilidade dos mais novos. Ainda não percebi porque não se avança com uma ordem, associação que auto-regule a profissão. De uma vez!
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Miguel Sousa Tavares

Foi com desconfiança que comecei a ver a entrevista que Miguel Sousa Tavares (MST) deu à SIC-N. Julguei que se fosse pavonear, mandar umas "bocas" e auto-promover-se. Enganei-me. E ainda bem. MST deu uma brava lição aos pacóvios nacionais que fazem da inveja, da coscuvilhice, da opinião rasteira e interesseira, uma forma de vida. A parte mais interessante, para mim, foi quando opinou sobre o estado a comunicação social na actualidade. De frente a Ana Lourenço (que se conteve o tempo todo...) desancou, positivamente, nas televisões, no modo de fazer entrevistas, do protagonismo de alguns jornalistas (que se substituem às suas próprias reportagens), à forma como os jornalistas recém-licenciados são atirados às feras, auferindo ordenados de miséria, fazendo "fretes" ao chefe e aos anunciantes publicitários. MST disse o que o jornalista assalariado não pode dizer: que os interesses comandam, que o jornalismo em Portugal estás desprestigiado e que, nos anos 80, fazia-se melhor. Estou a ver o Pulido Valente a verberar, entre mais um trago: "este tipo morde a mão que lhe deu de comer". Existissem mais MST. O que ele diz, por que tem disponibilidade financeira, enfurece muita gente. Ontem, pela primeira vez, concordei com ele de princípio ao fim.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
A verdade
Hoje há uma revisitação a um passado não muito distante, no Parlamento. Sócrates e Santana econtram-se, em papeis opostos. Será interessante de ver. Os media têm, como é habitual, carregado no acento tónico do "sangue", da "espuma". Quem vai ganhar o debate? O que falar a verdade. O que conseguir demontrar seriedade, profissionalismo, "obra feita". Sócrates só sairá derrotado se a fúria que o invade permanentemente voltar a rugir. Santana é exímio na arte da vitimização. E é disso que o povo gosta: ter pena do que leva pancada, do coitadinho, do veadinho morto pela besta. Faz parte dos genes lusitanos. Se Sócrates falar de frente, ranger os dentes e controlar-se, enfia Santana no local onde foi atirado por Sampaio. Santana foi convocado pela "raposa" Menezes, que já vai mostrando a sua impaciência face às perguntas menos comodas lançadas pelos jornalistas. Ele sabe o que está a fazer e tem um estratega de primeira água nos bastidores: Ângelo Correia. Menezes, mais que ninguém está inquieto com as diatrites que Santana possa fazer... No fundo basta a Sócrates falar a verdade, com humildade. Mas isso também pode revelar-se difícil para o "leão" que habita S. Bento.sábado, 20 de outubro de 2007
Amado, Santana, Menezes, Sousa Tavares, Rodrigues dos Santos


Este título faz-me lembrar uma crónica do Lobo Antunes, há uns anos largos, em que escreveu o nome de todos os irmãos e falou da já conhecida "casa de Benfica".
Neste caso nenhum é parente mas destacaram-se na semana passada. Uns mais que outros.
Não vejo pontos comuns entre uns e outros. Contudo apetece-me falar deles (ou por causa deles).
Luís Amado é um homem inteligente, discreto, desinteressado. É dele, mais que Sócrates, a vitória do Tratado de Lisboa. Amado sabe que chão pisa, é paciente e com aquele ar "calimeral" vai levando a água a seu moinho por essa Europa fora. Está de parabéns.
Santana Lopes regressou e tem um palco, garantia de holofotes, de jornalistas a gravitar, de secretárias e mordomias. Tem algum projecto inovador? Que se saiba ou tenha dito, não.
Luís Filipe Menezes deu uma entrevista a Judite de Sousa, na RTP. Fraca, "cansada", sem novidades, sensaborona e que contou com uma ajudinha da entrevistadora... LFM descobriu, após ataques violentos na campanha, que o PSD deve revisitar o passado, ajustar contas. Ideias: para mim, quase nada.
Sousa Tavares e Rodrigues dos Santos foram redescobertos pelos media. Estão em grande. Tudo o que seja para dar um contributo à cultura é noticiável. Mas que diabo, porquê tanta manchete?
José Carlos Vasconcelos escreveu uma crónica interessante na VISÃO (uma das publicações que, pela enésima vez, traça perfis de MST e JRS).
O que une estes homens são os media. Retirando Amado, que pouco apareceu e ao qual nenhuma "biografia" foi feita (apesar de ter apresentado o trabalho mais eficaz) todos os outros andaram na boca sedenta da inteligência que reina na maior parte das redacções. É claro que eu não estou a ver bem as coisas... Eles (comunicação social) também querem revisitar o passado, com bastante sangue, de preferência! Estão a ver como vão ser elaborados os textos dos "combates Sócrates/Santana"?
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
José Rodrigues dos Santos
Anda tudo aflito a falar do pivô da RTP. Percebo o porquê. Independentemente de ter um não razão, JRS tem um estatuto e uma visibilidade que lhe permitem colocar os dedos em todas as feridas. Quantos jornalistas são mais maltratados que ele? Quantos na RTP não sobem na carreira há anos? Tudo isto é estranho. Surge numa fase estranha. Na Pública, ao Domingo. JRS tem pelo menos um mérito, que os coleguinhas não extrapolam: a comunicação social está a tornar-se num antro de podridão interesseira aos poderes económicos, políticos e afins. Descarada como nunca.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Amizade
O que é a amizade? Quem são os nossos verdadeiros amigos? Agora está mais em voga dizer-se "conhecidos" (palavra fria, escorregadia). O amigo é aquele que está, que permanece, que não cobra, que crítica e grita, mas que afaga quando é preciso, genuinamente. As boas amazides perduram no tempo. E ficam num cantinho da nossa alma, mesmo que não vejamos esse amigo há muito tempo. O carinho é natural, os actos, o riso. Uma boa amizade não se quebra nunca. É para a vida. Tudo isto vem a propósito de um contacto que recebi hoje do DN Madeira, para enviar um testemunho sobre a minha passagem pela publicação. Não escondo: fiquei honrado, vaidoso. E escrevi. Porque para além de algumas "maldades" que me quiseram fazer (ao tempo), o balanço transborda de positivo. Foi lá, na rua da Alfândega, 8, que conheci o meu grande amigo João. Companheiro inseparável, preocupado, deixou-me numa noite fria, junto a Gavião, num estúpido acidente de automóvel. Um grande, grande amigo. E outros por lá fiz. Dos jornais tenho amigos leais, frontais.
A amizidade é a arte sublime de equilibrar o agradável com o menos agradável. E falar... Sempre!
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Política (II)
Será que este é o PSD que o povo quer? Será que é LFM o homem ideal para derrotar Sócrates e o PS, em 2009? Não, não e não! Dias Loureiro, Ferreira Leite, Alexandre Relvas, Ângelo Correia, Rui Rio, só para citar alguns assistem de balcão a estra tragicomédia: Menezes, presidente, Santana, em bicos de pés, louco por um ordenado que o vá sustentando, Henrique de Freitas, vice de qualquer coisa, Helena Lopes da Costa, secretária-geral da junta, Mentes Bota, cantor de serviço, Duarte Lima... Tirando o extraordinário ex-secretário de Estado da Defesa, Negócios Estrangeiros, Henrique de Freitas, Cavaco arrumo-os a todos. E sabemos porquê. É esta malta que vai mandar no laranjal, com ar coloquial e semblante de homens de Estado. Marques Mendes foi um líder fraco. Na verdade, depois de Cavaco Silva nenhum deu com o "buraco na agulha".
Política viva
De um lado um «animal selvagem», do outro, um político com provas dadas, eleito pelas bases, pelo povo e para o povo. O PPD está de regresso. Contra os "barões". A política está viva! Menezes tem uma mão cheia de nada para oferecer, para debater. É o populismo no seu pior. Estou curioso pelas propostas... Por enquanto, só fumaça!
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