quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A ganância

O povo saiu à rua. Os assobios começam a ferir os timpanos de Sócrates. Vai daí, está na hora de começar a campanha para 2009: um chuto no rabo de Correia de Campos, "a seu pedido", um par de patins a Pires de Lima, que as elites contam e o "amigo" Joe Berardo está mais atento que nunca e umas tiradas da cartola no Parlamento, que o Santana e o Portas estão feridos de morte. O primeiro-ministro sabe que o seu problema não reside na AR, mas começa a efervescer nas ruas. O povo quer-se sereno e já não está a gostar da brincadeira de se andar a brincar aos médicos. Mas o PM surpreendeu, sorrindo para Belém e piscando o olho aos portugueses: são gananciosos os gestores que auferem ordenados e indemnizações brutais, disse ele da tribuna. Sócrates refere-se a quem? À iniciativa privada!? Aos gestores do Estado...? Não percebi. A ganância de querer obter uma nova maioria absoluta pode estar a tolher-lhe o pensamento. O povão gosta destas tiradas, mas não lhe tirem o médico e a enfermeira.

Regicídio duas vezes


Faz amanhã 100 anos que se deu um regicídio em Portugal, em pleno Terreio do Paço, centro ainda hoje ligado ao poder. D. Carlos e o príncipe herdeiro foram abatidos em circunstâncias ainda envoltas num certo mistério. À época o chefe de Estado era o Rei. Não se percebe que passado um centenário o civil Severiano Teixeira venha proibir o Exército de participar numa evocação à data. Privada ou não, pouco importa. A ideia serôdea e pronviciana mostra a mesquinhez que ainda grassa nalgumas mentes ditas de esquerda. É por estas que Salazar foi eleito o maior português . Eu, nessas circunstâncias, votaria, de olhos fechados, em D. Carlos. Triste país que insiste em, pacoviamente, aligeirar a sua História.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Devaneios do "pobre homem de Gaia"

Luís Filipe Menezes voltou a surpreender, desta feita no muito agradável Jornal 2, apresentado por Alberta Marques Fernandes. O homem ia "borrando a pintura" ao aproveitar o palco para fazer umas promessas eleitorais. Vai daí e mesmo depois da pivô referir que não era o sítio mais apropriado, Menezes assegurou que todos - perceberam bem, todos - os portugueses vão estar à distância de uma chamada telefónica do seu médico de família, sempre que for necessário. Em 15 minutos haverá uma resposta, complementou, se o PSD vencer as eleições de 2009. Consta até que Menezes vai dar uma mãozinha ao plano, atendendo também ele umas chamaditas, na sua qualidade de médico. Eu não resisti: pela primeira vez há muito tempo mudei para a edição da SIC-N. Parafraseando o director do DIABO, o "pobre homem de Gaia" não pára de surpreender.
*

Mão amiga fez chegar ao conhecimento do autor destas linhas que Anabela Mota Ribeiro se prepara para um regresso em grande aos ecrãs da tv do Estado. Sinceramente, aprecio o seu trabalho. Coincidência ou não o nóvel ministro da Cultura é apenas... seu marido! Isto faz-me lembrar qualquer coisa...Será só coscuvilhice das redacções?

Um orgasmo anunciado

A comunicação social teve ontem um orgasmo visual, auditivo, bem... Caiu que nem uma bomba (como se ninguém esperasse) a notícia da remodulação no governo. Correia de Campos e Pires de Lima, pasme-se, pediram(?) a demissão. A meio da abertura do ano judicial, do cada vez mais preocupante caso dos voos da CIA, rádios, televisões, jornais pararam e ligaram a sirene: à fogo no governo! Vai daí, começou a hesteria habitual: directos para reacções (umas que não lembram o diabo), biografias dos novos ministros, mais reacções, directos ao telefone nas tv's, mais reacões, análise dos directores dos canais. Um fartote.
Hoje a fanfarra continua: todos os fóruns, todos, discutem e dão voz ao Povo: há sangue!
Até que ponto a classe jornalística não percebe que continua a ser uma óptima correia de distribuição da estratégia de comunicação de Sócrates? É óbvio que a remodelação é notícia e com destaque, mas deixar cair o resto? Será razoável cortar a meio declarações importantes e actuais num sector tão fragilizado como a Justiça para ouvir a nova ministra da Saúde dizer que a política para o sector vai ter seguimento. Fechem as agências de comunicação. Em Portugal os jornalistas, infelizmente, são os melhores assessores do governo.

Nem à 4.ª!


Sócrates cedeu. Não tinha outra hipótese. Ao correr com Correia de Campos, o PM quer incutir uma lufada de ar fresco na Saúde, "pescando" à ala alegrista do PS uma mulher, médica e conotada com a secção mais à esquerda. Não deixa de ser curisoso as evidências, os sinais. Sócrates quer serenar críticas internas e a Ordem dos Médicos. Conseguirá, mantendo a mesma política? Quanto à Cultura dizem que os lobis venceram. Não se percebe bem o motivo de Mário Lino não ter saído, nem Maria de Lurdes Rodrigues. O homem é teimoso e não percebe que a sua liderança só sairia reforçada com um abanão à séria no aparelho governamental. A sua sorte é ter um Menezes que, nem de empurrão, põe a máquina a trabalhar. Nem à quarta remodelação o teimoso PM chega lá.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A rasteira de Jardim

Passaram quase despercebidas as "pérolas" soltas por Alberto João Jardim num jantar de "laranjas" em Castro Marim. Disse o líder da Madeira que a malta do PSD deveria "ter calma, deixar-se de jantares" para que o líder Menezes se possa afirmar. Eu não acredito na benevolência do desbocado Jardim, que ainda sonha pela tal "vaga de fundo" para se apresentar ao eleitorado... do continente. Ele sabe melhor que ninguém que com Menezes, Sócrates ganhará as eleições de 2009. Se o PSD não emendar a mão (e não vai mesmo) será esse o desígnio do "pobre" homem de Gaia. Jardim, na altura, vai-lhe dedicar uma ode!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Porca, feia e má


A cidade de Lisboa está cada vez pior. Decidi gastar algum do meu precioso tempo de Domingo a calcorrear algumas ruas, jardins, zona ribeirinha. Conclusão: deplorável. Do jardim do Adamastor (onde vi a maior concentração de drogados por m2 de toda a minha vida), passando pelo Chiado, Calçada do Combro, Convento de Jesus, ruas Garret e do Carmo, Rossio, Restauradores, av. da Liberdade, tudo está sujo, tudo está em obras, tudo é degradação. Não há um jardim arranjado, não há zonas aprazíveis, não há diversão (nem para crianças). Em muitas artérias ainda estão por tirar as luzes de Natal.

Já sei: a C. M. de Lisboa tem muita dívida, o Costa ainda está a "arrumar" a casa e o Sá Fernandes passeia-se pelos tribunais a dirimir processos atabalhoados. "As moscas são diferentes, mas a m**** é a mesma".

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ser animal político


Nunca se vai poder comparar José Sócrates a Alberto João Jardim. O primeiro cresceu dentro do aparelho, o segundo moldou-o à sua maneira; o primeiro é do PS, o segundo do PSD; o primeiro é meticuloso, articulado, o segundo é buçal, populista; o primeiro não tem obra, o segundo está no povo, inaugura 500 metros de alcatrão e responde (mesmo que mal) aos jornalistas. Sócrates vem de famílias com dinheiro, Jardim vem da classe média, fala para o povo, mistura-se com ele. É um verdadeiro animal político, concorde-se ou não com as suas declarações inflamadas. Façam, no entanto, a justiça: a Madeira progride, tem taxas turísticas elevadas, escolas com infra-estruturas melhores que as melhores privadas do continente, centros de saúde com urgências em diversos concelhos que distam do Hospital Central do Funchal no máximo 45 minutos. Tem cidades e concelhos limpos, parques para crianças, diversões, estradas capazes, consultas de todas as especialidades no hospital (com fraca lista de espera), consultas no privado a 50€ (a convenção existente com o governo regional não permite preços mais elevados, porque a população não atingiu níveis de vida que suportem o normal regime de preços livres)... Que temos aqui no Continente? E por que está Jardim há tanto tanto na cadeira do poder, por mais abusos que cometa? E não venham com história que tudo é feito com o dinheiro dos contribuintes continentais. Esse comentário é tão estúpido quanto dizer-se que a nova estrada em Bragança foi feita com o dinheiro dos algarvios... A diferença maior que separa Sócrates de Jardim é que o segundo é mesmo político, vai à luta, proporciona boas condições de saúde, educação. O primeiro agarra-se aos barómetros económicos e não cede nas más políticas porque não tem coragem, porque é teimoso e tem pouca experiência. Um mau exemplo que vai perdurar por mais tempo que julgamos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ditadura da maioria: outra vez?

A frase é bem conhecida de todos nós. E parece voltar a fazer sentido. Nunca sinceramente pensei que um partido socialista fosse capaz de tomar medidas próprias das teorias neoliberais da direita. Não sou comunista, nem bloquista, nem maoista. Aplaudo a iniciativa privada mas concordo com a intervenção do Estado em áreas nucleares, como a Saúde e Educação. Quem ouviu ontem Correia de Campos na SIC-N julga que está tudo bem na sua área. O ministro, com uma calma de se lhe tirar o chapéu, lá explicou que novos hospitais vão ser abertos, que não é necessário pânico, etc. Quando há pessoas a morrer dentro de ambulâncias, estacionadas à porta de um hospital, pouco mais há a dizer. É digno de terceiro mundo. Mas neste país discute-se a conversa de uma operadora do CODU do INEM com um bombeiro de Favaios, mas poucos falam da resposabilidade POLÍTICA. Só por isso o inenarrável Correia de Campos já deveria ter calçado as pantufas. Mas o mais incrível é a actuação do primeiro-ministro. Com uma estratégia de comunicação ímpar (já requisitada pelos líderes dos países mais avançados do Mundo) "passeia-se" pelos intervalos da chuva.
Entretanto, sabe-se que o governo decidiu atacar o mais popular instrumento de poupança nacional: os certificados de aforro. A maioria está a subir de forma vertiginosa à cabeça dos governantes deste PS light. A "ditadura" está de volta... Vamos a ver o que acontece em 2009.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Santana, Menezes e CV&A

No PSD de Menezes as coisas não andam famosas. Agora Santana anda às turras com o secretário-geral do partido, Ribau Esteves. Por causa da "nova estratégia" de comunicação a adoptar também no grupo parlamentar, liderado... por Santana. O ex-primeiro-ministro não quer a Cunha Vaz e Associados a cochichar aos ouvidos dos seus deputados. Pelo meio existem comunicados, afirmações de que tudo não passa de um equívoco e até o gabinete de Jaime Gama veio dar uma ajudinha, lembrando a barragem feita à acreditação das agências de comunicação na AR. Não deixaria, contudo, de ser engraçado ver os acólitos do super consultor Cunha Vaz andarem nos Passos Perdidos a soprar para os ouvidos de Santana e companhia. Pior é impossível, dr. Menezes.

Já agora que estratégia de comunicação seguiria Menezes se algum dia for Governo? Seria bonito...

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