O presidente da Assembleia da República foi à Madeira provocar um ataque de nervos aos socialistas madeirenses. Não é que o "peixe de águas profundas", como disse Mário Soares acerca de Jaime Gama ousou dizer alto e em bom som, que a Madeira é uma terra "democrática" e um exemplo de desenvolvimento. Com Jardim a assistir, atónito. Gama, que citando Soares mais uma vez, "não guarda muita consideração pelos amigos", rasgou os manuais do políticamente correcto e desarmou os socialistas madeirenses e alguns continentais. É que ainda não entenderam que não é atacando a Madeira, o seu povo e o seu líder que vão chegar ao poder. Há três décadas que andam nisso e ainda não aprenderam. Quem diria que fosse Gama a colocar Alberto João sem reacção? É que a questão do défice democrático, explorada por Gama em 1993 no Parlamento não surtiu muito efeito, a não ser ter dado maior visibilidade mediática a Jardim.domingo, 30 de março de 2008
Terramoto de Jaime Gama
O presidente da Assembleia da República foi à Madeira provocar um ataque de nervos aos socialistas madeirenses. Não é que o "peixe de águas profundas", como disse Mário Soares acerca de Jaime Gama ousou dizer alto e em bom som, que a Madeira é uma terra "democrática" e um exemplo de desenvolvimento. Com Jardim a assistir, atónito. Gama, que citando Soares mais uma vez, "não guarda muita consideração pelos amigos", rasgou os manuais do políticamente correcto e desarmou os socialistas madeirenses e alguns continentais. É que ainda não entenderam que não é atacando a Madeira, o seu povo e o seu líder que vão chegar ao poder. Há três décadas que andam nisso e ainda não aprenderam. Quem diria que fosse Gama a colocar Alberto João sem reacção? É que a questão do défice democrático, explorada por Gama em 1993 no Parlamento não surtiu muito efeito, a não ser ter dado maior visibilidade mediática a Jardim.sexta-feira, 28 de março de 2008
O país pequenino, mais uma vez
A novela à volta das alterações que o PS e o BE querem introduzir no divórcio e as reacções que suscitaram vêm mostrar, implacavalmente, dolorosamente o país que queremos continuar a ser. Que lei pode impedir alguém de renunciar ao que não quer mais? Mas porque querem que o Estado e os tribunais entrem devassadamente na vida de cada um de nós? Será um contrato mais importante que a liberdade individual e ímtima de cada um? E o património? E os filhos? Simples: não havendo consenso o juiz decide. A culpa, deixemo-la para outra instâncias... mais espirituais.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Sócrates deu início à campanha eleitoral
Não podemos desta vez dizer que não foi certeiro. Sócrates aproveitou a ressaca da contestação ao seu governo para vir de manso anunciar a descida de um imposto que jurou (em 2005) não aumentar, caso ganhasse as eleições. O IVA desce de 21 para 20 por cento. Uma migalha que vai fazer diferença - mesmo que tímida - no bolso dos cidadãos. Se a famigerada apresentação pública (que remeteu Teixeira dos Santos a um canto) conseguiu surpreender pelo tema em si (descida de impostos) mais espectacular foi a reacção do presidente do PSD, ladeado por Patinha Antão e Miguel Frasquilho (os dois no governo quando o défice galopava montanha acima). Pior era mesmo impossível. Menezes não disfarçou o mal-estar da surpresa de Sócrates. 1-0 para o PM no início da campanha para as legislativas de 2009.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Moonlight shadow, lembram-se?
Sem dúvida das músicas que passaram por mim, na década de 80. Maggie Reilly cantava divinalmente as obras de Mike Oldfield nas minhas manhãs de torradas com café com leite, antes de ir para a escola. Na Estação Rádio da Madeira (vulgo emissora do cambado) Moonlight Shadow e To France eram as pautas mais populares. Da menina que balbuciava lindamente as letras de Oldfield nada sei. Mike, passados estes anos, ressurgiu com um projecto interessante. Deixou a pop para um estilo mais clássico: "Music of spheres", no Guggenheim de Bilbao. Para relembrar...E as cuecas?
O Governo anda num desvario para obter mais receitas fiscais. Num país em que o casamento é cada vez mais um acessório, a Administração Fiscal ataca e bem. Quer saber tudo: quanto custou o vestido da noiva, o véu, as flores, o lacinho da menina das alianças. Acho bem. Já agora, não esqueçam as cuecas, as meias, o arroz atirado pelos convidados e o espumante da cerimónia. Viva ao Portugal global.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Parcialidades
Cada um é livre de escrever o que lhe apetece. O P2 (jornal PÚBLICO) de hoje dedica nove (!) páginas à Madeira, a propósito dos 30 anos de AJJ no poder. Alexandra Lucas Coelho faz um retrato parcial sobre alguns locais da ilha que visitou. Quem lê o seu trabalho fica com a sensação que a Madeira é uma espécie de Cuba, uma Damaia ou Maia (como foi dito)... polvilhada de toxicodependentes, furada por túneis em todo o lado, descaracterizada brutalmente. Não deixa de ser interessante este retrato... pena é que não seja verdadeiro, na sua plenitude. É uma radiografia vista por uma jornalista que continua a escrever "o Machico". (Os madeirenses entendem-me e mais não é preciso dizer). Só mais um mimo: dizer que do Dolce Vita "à baixa" são cinco minutos.... mais elucidados ficamos... Jardim agradece esta espécie de reportagens. Venham mais rebuçados.
O mal entendido continua
Jardim comemora, hoje, 30 anos à frente do governo regional da Madeira. É tempo a mais. Um político não se deve permitir a si próprio estar num cargo durante três décadas, em democracia. Algo falhou na preparação de um novo líder do PSD/M e AJJ sabe isso. Foi ele que secou o terreno à sua volta e decapitou os "delfins" que se posicionaram. Bem ou mal, o homem manteve-se ao leme, a Madeira desenvolveu-se brutalmente e... toda a gente fala dela. O grande mal entendido nas relações do continente com o arquipélago é que se mantêm. Dizer que a região é o que é devido ao dinheiro dos contribuintes continentais hostiliza a população madeirense, que continua a buscar guarida nas pernas do seu defensor de sempre. E AJJ agradece, eternizando-se no poder. Nunca nenhum líder partidário quis perceber que ao dizer isso estava a "magoar" gente que, não há muitos anos, vivia em colonia, sentia-se inferiorizada, não tinha acesso fácil ao médico, nem à escola. As elites na Madeira eram, em grande parte, famílias inglesas, que exploraram os locais até ao tutano. Em 1978 surgiu o "salvador", o político que bem ou mal dotou a ilha de meios, berrando aos que ousavam "ofender" os madeirenses. O sentimento de orfandade generalizada esbateu-se com o surgimento de Jardim, que fez obra e que falou a linguagem dos agricultores oprimidos. Na verdade, a oposição insular nunca conseguiu expiar os fantasmas que via em redor do presidente do GR. Dormia e dorme a pensar nele. Nunca o combateram de peito aberto. A oposição, na Madeira, não se faz na Assembleia, mas sim nas ruas, nos cafés, nos campos e à porta das igrejas, sem a sombra de líderes nacionais por perto. E Jardim é exímio nessa arte. Tanto bebe "vinho seco" como um wisky de 30 anos.
Já deveria ter saído, mas na cabeça dos madeirenses o dilema visceral mantém-se: quem é que virá após a saída do homem que inaugurou a estrada, o centro de saúde e a escola? (Uma vez o próprio disse-me: "Não há mais diálogo com os Açores porque o Mota Amaral é opus dei e eu sou mais copus night...)"...
sexta-feira, 14 de março de 2008
André Freire não sabe o que diz
Hoje apetece-me ser madeirense de corpo e alma. Aguçou-me esta vontade depois de ter lido a prosa que o politólogo (o que é isso?) André Freire escreveu no jornal gratuito "Sexta", sobre os 30 anos de Jardim no poder. Diz, entre outras enormidades, que a Madeira é a segunda região mais rica do país devido às verbas transferidas do...continente! Sinceramente não entendo. Porque é que essas verbas não vão para o Algarve, para o Minho, para os Açores ou para acabar com a imundice existente em tudo o que é rua de Lisboa? André Freire fala do que não sabe ou conhece muito pouco: as verbas vieram principalmente da União Europeia e a Madeira - bem ou mal - desenvolveu-se de uma forma inacreditável porque AJJ impôs-se sempre. A isso chama-se poder negocial, porque na verdade os deputados da Madeira nunca foram necessários para fazerem aprovar orçamentos de estado na AR nos tempos de Cavaco. Já disse e friso que discordo de AJJ, mas em muitas coisas tiro-lhe o chapéu. O que muitos políticos eruditos pensam ele diz. Ou não será assim? Fazer afirmações como as que André Freire fez só servem para atear uma fogueira estúpida em querer separar à força madeirenses e portugueses do continente.
Os animais políticos
Sócrates, um género de fast food
José Sócrates por mais que se esforce, não convence. Ao ver ontem um retrato feito pela SIC ao "outro lado" do PM, a postura do homem chegou a incomodar-me. É tão articulado, tem previsível, tão teatral que mais valia ter declinado o convite para a reportagem. Sócrates fez um grande frete, esforçou-se, estou certo, mas não conseguiu disfarçar a maçada de ser importunado. A um ano de eleições lá teve de ser. Mas é um género de fast food, que não sabe bem a coisa nenhuma, em que não conseguimos apurar um sabor intenso, sem ser óleo saturado, sal das batatas ou ketchup que se põe no hamburguer. Sócrates tem um feitio duro, é irascível, cinzentão (gosta do nevoeiro, da chuva...) e - maior parte das vezes - cultiva a distância. No Parlamento, há uns anos, os jornalistas não se aproximavam muito dele, apesar de sabermos que era próximo de Guterres. Circunspecto, passava de "cara fechada". Tudo é pensado ao milímetro naquela cabeça. Pena que não exista slow food à altura de o sacudir...
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