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segunda-feira, 16 de março de 2009

Políticamente incorrecto

Alberto João Jardim disse, este fim-de-semana, que apenas serão bem vindos à Madeira os continentais que queiram trabalhar. Utilizando (sic) a frase proferida: "Nós só gostamos de quem quer trabalhar". Eu, ao contrário dos ex-camaradas de profissão, concordo com Jardim. O que ele disse é o que eu sinto e desejo. Malandros já existem em número suficiente, também na Madeira. O DN de hoje fez uma daquelas peças que caem que nem ginjas ao Domingo à tarde (fecho da edição). 2500 caracteres mais uma foto a três colunas, formato generoso. Para além da frase (sinceramente não sei onde está a notícia) a jornalista que assinou a peça lembra que em 2005, o mesmo Jardim, teria dito que não queria chineses e indianos na região. O que ele disse é que essas comunidades fazem concorrência desleal. Convém não distorcer factos, mesmo que seja Domingo...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Perder a camioneta

Camionetas da SAM, estacionadas na av. do Mar, junto ao "Almirante Reis"

No meu Funchal do final dos anos 70 e 80 uma das maiores chatices que podia acontecer a qualquer um era perder a camioneta (ou o horário). Vir a correr e ver o autocarro (lá chama-se camioneta ou horário) partir era sinónimo de seca na paragem. Por norma a viagem seguinte só acontecia passados 40/50 minutos. Aconteceu-me várias vezes dar uma carreira (corrida) para apanhar, na av. do Mar, o "Levada via Pena, Levada via Til ou Livramento, que passava pelo 'Furado'" e não conseguir deitar o pé ao veículo. Estes episódios vieram-me à memória por se falar tanto, neste momento, sobre o relacionamento de Portugal com Angola, em consequência da visita do Presidente José Eduardo dos Santos a Lisboa. A ex-colónia é um mercado importante para nós, tem crescido 18% ao ano, tem petróleo e uma comunidade lusa considerável. Em Angola temos de ser um pouco angolanos. Tal como me acontecia no Funchal, o país não pode perder esta camioneta. O resto (valores, ética, pluralismo) pouco conta, para ser verdadeiramente objectivo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sinais dos tempos

A reportagem do El País sobre Alberto João Jardim pode ser um indicativo de mudança na Madeira.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sem hipóteses

Alberto João Jardim confirmou o óbvio: não é aos 65 anos que vai "emigar" para o continente. O presidente do GR da Madeira ainda mostrou uma derradeira esperança de querer "bailar" com José Sócrates, em Outubro deste ano, na entrevista de ontem à SIC. Não tem hípóteses. O homem que mais vitórias deu ao PSD não é querido por estas paragens. Fica confinado à "sua" Madeira. Até quando, só o próprio saberá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ronaldo, o melhor


Deixem-me, hoje, ser mais madeirense do que português do continente. Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor do Mundo. O menino prodígio da quinta Falcão, abraçou o universo. Em 500 anos de História da Madeira só houve um.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Manuela no seu pior


Hernâni Carvalho, ex-segurança, ex-jornalista da RTP, "comentador" criminal. Cecília Carmo, ex-ginasta, jornalista da RTP. João Carvalho, actor, filho de Ruy de Carvalho. Gonçalo Amaral, ex-inspector da PJ, primeiro responsável pela investigação do caso Maddie, acusado de eventuais actos de tortura em interrogatórios. Estes são apenas algumas das personalidades que o PSD vai apoiar nas autárquicas deste ano. Manuela Ferreira Leite, ao visar estes nomes, revela o sentido de desnorte que reina no seu partido. Gosto cada vez mais de ser madeirense e de Alberto João Jardim.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mário Casagrande (II)

Deveria ter uns 14 anos quando, na missa das 20h da Igreja do Colégio, o pe. Mário Casagrande fez a sua homilia baseada na história, verídica, de uma jovem estudante, que engravidou, motivando a ira dos pais. Não consigo reproduzir exactamente o episódio. O que sei é que prendeu a atenção dos presentes, que, em silêncio e comovidos, escutaram mais um lição de bom senso daquele homem alto, de cabelos brancos, de gestos simples e afáveis. Ao que parece a rapariga em apuros recebeu um convite para sair de casa, por ter prevaricado. Numa terra fervorosamente católica como a Madeira essa era a atitude mais esperada perante a "vergonha". O pe. Mário falou com os pais e levou-os a reconsiderar, afirmando que a filha precisava de ser amada e acarinhada, mais que nunca. A forma como desenvolveu o enredo foi notável. As palavras incisivas e certeiras. Naquela tarde/noite de domingo, aquele homem marcou-me pelo seu estilo genuíno, pela forma como encarava e entendia as pessoas. Falava uma linguagem que eu percebia. Tivesse a Igreja mais sacerdotes como Mário Casagrande.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Mário Casagrande


Para os de cá o nome não dirá muito. Para os madeirenses da minha geração Mário Casagrande é sinónimo de homem grande, bom, educado. Contador de histórias nato, este padre italiano, radicado no Funchal há muitos anos, foi uma referência notável. As suas missas dominicais das 19 e 20h eram autênticas lições de bom senso, escutadas sobretudo pelos mais jovens. Era com eles que o pe. Mário Casagrande gostava de estar, tendo fundado e dirigido durante anos a escola da APEL. Era um homem muito alto, simples, que não usava batina nem qualquer adorno que o identificasse com a Igreja. Lembro-me de nos domingos de Verão sair pelas traseiras da igreja do Colégio, de calças de ganga e pólo. O italiano mais castiço que conheci morreu hoje, aos 78 anos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Bacalhau não, obrigado


Declaração de interesses: o bacalhau é o meu prato favorito.
Amigos meus mostram-se chocados quando digo que na noite de Natal não vai o prato de bacalhau com couves à mesa, na minha Madeira. Mas é mesmo assim e há uma explicação: o peixe, em geral, era conotado, nos tempos de miséria, em especial durante a II Guerra Mundial, como alimento dos pobres. A carne escasseava, bem como outras iguarias, como o cacau e a manteiga. Por isso eram mais desejadas e utilizadas na "Festa". Na consoada comemos carne assada, peru recheado, batatas assadas, pudim de veludo, bolo família (feito com mel-de-cana). Bacalhau com couves à mesa de um madeirense, nem a brincar.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Missa do parto


Iniciou-se hoje e prolongam-se até 24 de Dezembro, as missas do parto, na Madeira. A tradição, secular, é uma originalidade das gentes da ilha que, principalmente nas zonas rurais, se juntam ao pôr-do-sol e vão à Igreja assistir à "novena" em honra de Maria. As missas do parto continuam a ser uma das maiores manifestações da religiosidade popular e da cultura madeirense. Lá vive-se intensamente a "Festa", que é como se designa o Natal. A gastronomia própria, onde não se inclui o bacalhau com couves, prima pelos doces, pelas sandes de carne de vinho e alhos, pelos licores, pelas broas deliciosas (manteiga, mel e côco)... A "Festa" é cuidadosamente preparada, o que faz da Madeira deste dias um local ímpar. Voltando às missas do parto, os participantes são brindados, no fim, com sandes caseiras, canja de galinha, aguardente com mel, bolo de mel. Tudo generosamente servido pelas crentes mais devotas. A experimentar.
Veja o programa

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

E se houvesse pancada?

Gostei de assistir a parte dos trabalhos de ontem na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM). Ri-me que nem um perdido. Gostei de ver Alberto João Jardim esbaforido a prometer "umas batatas" ao deputado do PND (o que gosta de dar espectáculo com bandeiras nazis). Aquilo é um regabofe, um autêntico circo. Há uns anos atrás, Jardim, também na votação do orçamento regional, chamou "cabra" a uma deputada do PS. Ele bem tenta evitar a ALM porque sabe que vão irritá-lo e que a boca vai vomitar asneira. Mas o que eu gostava mesmo é que houvesse pancada. Democrática, claro está. E adorava ver a reacção da institucional Ferreira Leite e do estadista Cavaco Silva.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

João Batido e Sandra Mista

Em época natalícia, nunca é demais recomendar precaução no exagero alimentar a que, por norma, nos lançamos. Este site, muito interessante, deveria ser adoptado por todas as escolas nacionais. Os seus méritos já foram destacados por diversos quadrantes da saúde. Nem sempre o que vem da Madeira é mau. Tomem nota!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Onde está Cavaco?

O mediático advogado João Nabais vai apresentar, hoje, na Procuradoria-Geral da República uma queixa contra o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM). Em causa os tristes episódios que envolveram a suspensão de um deputado do PND. O objectivo é distituir Miguel Mendonça, homem-de-mão de Alberto João Jardim. Como se não bastasse foi chumbado pelo PSD, mais uma vez, o nome do deputado Bernardo Martins, proposto pelo PS para ocupar uma das vice-presidências da ALM. Lá, nenhum partido da oposição tem acesso à mesa da presidência. Cavaco Silva que se tem mostrado tão atento a todas as minudências que se passam no país, inclusive, nas redacções dos jornais, deveria intervir num caso muito político, que envolve o próprio Estado. Afinal, onde é que ele está?

domingo, 23 de novembro de 2008

O melindre de Cavaco

Cavaco Silva anda muito atento ao que se escreve na imprensa sobre o BPN, um banco que serviu de refúgio a muitos dos seus ex-governantes. Hoje e perante "mentiras" que estão a ser veiculadas, o Presidente entendeu por bem esclarecer que nunca teve nada a ver com o banco. Apenas tem lá conta, desde 2000. Não entendo a atitude de Cavaco Silva quando diz que há "insinuações" com o seu nome quando se fala do caso. O que constato é que se faz referência a figuras do cavaquismo na gestão danosa do BPN. E - ao que parece - estão implicadas até ao pescoço. Sobre Cavaco nunca ninguém insinuou nada. Tão melindrado que anda o PR. Pena não ser extensivo à Madeira.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ânimo novo


É já a 23 de Novembro que as avenidas, ruas e becos do Funchal vão acender-se de cor. As iluminações de Natal vão voltar, tornando a cidade um autêntico presépio. Passear por esses dias nas artérias da capital da Madeira é um autêntico exercício de levagam da alma. 250 mil lâmpadas vão fazer vibar as já noites mágicas do Funchal. No dia 31 Dezembro o fogo de artifício vai ser de arrombo. Com a cidade a festejar 500 anos, aguarda-se espectáculo de encher o olho. A ter em conta, a noite do Mercado (22 para 23 de Dezembro), as sandes de carne vinho-e-alhos, o bolo de mel e os licores. As festas de Natal e fim-de-ano fazem da Madeira um lugar único no Mundo. Um excelente cartaz turístico também para Portugal no seu tudo. Até 6 de Janeiro.

PS: Veja as tarifas da Easy Jet e um quarto num hotel de 3* (garanto-vos que é bom).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Opus dei vs copus nigth


Paralelamente a todas as polémicas à volta dos Açores e da Madeira, tendo como fugura central o Presidente da República, veio-me à memória uma tirada de Alberto João Jardim, sobre João Bosco Mota Amaral, quando foi questionado por que motivo as duas regiões autónomas não uniam esforços contra os apertos financeiros, decretados por Cavaco Silva, no seu último mandato de primeiro-ministro: "Porque o Motal Amaral é Opus Dei e eu sou copus night", disse-me Jardim entre uma sonora gargalhada. Talvez a postura (e o pensamento) explique muito do que acontece recentemente.

Vendaval

Manuela Ferreira Leite tem um problema para resolver com a sua consciência e com a sua maneira séria de fazer política. Ou desmarca-se categoricamente ou mantém o ruidoso silêncio face a Alberto João Jardim, militante do PSD e guardião do maior rol de vitórias laranja em Portugal. O homem que governa "à esquerda" despachou os professores da RAM com a classificação de "BOM". Lá não há diálogo nem meias medidas. Ele considera o diploma um atentado aos direitos dos docentes e sossegou-os. Para além de render votos, esta não é a primeira vez que Jardim se coloca mais à esquerda que o PS e até mesmo do PCP. Há meses diabolizou o novo código do trabalho e colocou-se do lado dos mais fracos. Em pleno vendaval noticioso que varre a Madeira, o presidente do governo regional consegue pôr a cabeça de Manuela em água. Como pode ser ela coerente se continuar de bico fechado face às diabruras do senhor da Madeira? É a política na sua essência.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O Jardim e a Madeira e vice versa


Mão amiga fez-me o favor de oferecer (muito obrigado, camarada) um livro recentemente editado, com o sugestivo título: "Madeira - Jardim há 30 anos", da autoria de Cristina Costa e Silva. Confesso que ao receber a publicação não indentifiquei a sua autora, jornalista do Jornal da Madeira (JM) há 14 anos. Conheci Cristina Silva no início dos anos 90, estava eu no DN Madeira e ela era - se não me engano - colaboradora da secção de desporto. Pouco depois passou para o JM e eu vim à minha vida. Perdi-lhe o rasto. Confesso que foi com curiosidade que comecei a folhear as primeiras páginas da sua obra. Apesar da jornalista trabalhar para o jornal do Governo Regional da Madeira, julguei que desse alguns pormenores - que não tinham forçosamente que ser negativos - sobre quem é, efectivamente, Alberto João Jardim. Ela exalta, quase obsessivamente, o "heroi" que transformou a região. Até à página 20 (não consegui ler mais), o homem é levado ao olimpo, não tem defeitos e nunca falhou. O próprio não diria melhor de si próprio. Acredito que Jardim teria sido mais crítico e interrogativo face a muitas decisões que tomou. O que me incomodou no livro não foi o seu tom marcadamente bajulatório, mas sim ser assinado pela "jornalista profissional", que deveria ver o quotidiano como ele é, para o poder contar, com imparcialidade, aos seus leitores. Reconheço que fui ingénuo. O livro vale o que vale. Mostra um lado da história. O lado encantado da "Madeira Nova" e a ligação umbilical de AJJ à sua história recente. Pena que Cristina Costa e Silva não tivesse mostrado a outra face.

Pérola do dia

"De acordo com informações que tenho recebido de quem constitucionalmente representa a República na região, o funcionamento da Assembleia Legislativa da Madeira tende para a normalidade", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas à saída da sessão de abertura do 18º Congresso das Comunicações, que decorre no Centro de Congressos, em Lisboa.

Presidente só de alguns


Fiquei hoje a saber que Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República só de alguns portugueses. Na Madeira, a soberania está delegada no representante da República (disse Cavaco), Monteiro Diniz, que não foi eleito com o meu voto nem com o de nenhum português. Mais, o PR só sabe do que se passa na ilha pelas "informações" veiculadas por esse sr.. Cavaco Silva ficou visivelmente engasgado quando o confrontaram com os episódios dos últimos dias à porta da Assembleia Regional. Dado a este súbito esvaziamento de poderes do PR face a Portugal no seu todo, porque motivo ficou tão incomodado com o Estatuto dos Açores? Porque é que opina sobre questões de defesa e política internacional? Razão tem Alberto João Jardim, quando se refere a Cavaco como o "sr. Silva". Ele, na verdade, não é o "nosso" Presidente. Porque não disse isso mais cedo?

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