domingo, 12 de outubro de 2008

No Chiado

Ficar por Lisboa pode não ser um pesadelo. Ainda há alguns (poucos) sítios onde se pode descontrair sem entrar na bagunça dos centros comerciais ou andar pelas ruas sujas da baixa. É verdade que abunda muita imundice, pouca alegria, pouco movimento de gente. No Chiado podemos (ainda) tomar o pequeno-almoço na Brasileira e descer até à FNAC, passando pela bonita Bertrand e contemplar as lojas da rua Garrett. Uma alternativa para as manhãs cinzentas de Domingo.

Contemplar Lisboa...do alto


Enquanto o frio das noites outonais não se faz sentir é bom contemplar Lisboa do alto. Na Graça há a Albergaria Senhora do Monte, na calçada com o mesmo nome e junto do miradouro. Encerra às 24h e tem um terraço aprazível. A considerar para um café (servido em balão) e um digestivo após um jantar. Lisboa, a nossos pés, chega com alguma iluminação e silenciosa. Antes de regressar a casa pode sempre passar pela padaria da praça do Chile. As bolas de berlim vêm quentinhas. Uma boa maneira de acabar o fim-de-semana.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sem rupturas

Reconhecer aos gay a direito de casarem entre si não me causa calafrios. Os tempos fazem-se e ver dois homens ou duas mulheres casados é quase tão natural como reconhecer aos heterossexuais o direito a procriarem. Em mentes atrofiadas a ideia não é bem colhida. Apesar de respeitar custa-me a aceitar a negação de um "direito natural". Hoje, na Assembleia da República, o diploma do BE só foi chumbado devido ao calendário eleitoral do PS. Com o PSD a definhar e o CDS a derreter-se com a fumaça expelida por Paulo Portas, Sócrates não arrisca uma eventual cisão com a designada ala progressista. Venceu o novo PS. Manuel Alegre fez, uma vez mais, a "chamadinha de atenção", do género: "meninos, olhem, eu estou aqui".

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Jean-Marie Gustave Le Clézio

Eis o laureado com o prémio Nobel da Literatura de 2008. Confesso a minha ignorância: nunca o li. Dizem que se justifica. Acredito, apesar de lamentar que ainda não é desta que António Lobo Antunes sobe ao Olimpo das letras. Doris Lessing, premiada em 2007, tem 88 anos...
Saiba mais sobre este francês.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Será?


Será que alguém acredita, incluindo o afável ministro Luís Amado, que não passaram aviões da CIA em Portugal, em trânsito para Guantánamo, com prisioneiros? É claríssimo que a oposição está a esfolar ao tutano a questão política. É claríssimo que há muita falsa moral à volta deste tema, como é verdade que o PSD e CDS estão comprometidos até ao pescoço - Portas recebeu uma distinção do ex-secretário de Estado Rumsfeld - mas esconder este "sapo" é no mínimo de mau gosto. Assuma-se de vez que um aliado tão frágil e vulnerável como Portugal não pode dizer não ao "amigo" EUA. A mim não me tira o sono que tenha existido aparelhos voadores da CIA sobre o nosso espaço aéreo: já não sou virgem há muito. Mas é sempre um incómodo ver o honesto Luís Amado nesta posição. É a diplomacia.

PS: Portugal reconheceu a independência do Kosovo. Por mais engulhos que provoque que outra solução tinha? A cortina de ferro está aí. Nós, como sempre, estamos do lado dos EUA... Uma vez mais Luís Amado foi dos poucos, na esfera do PS, a compreender publicamente a aliança de Durão Barroso na Cimeira dos Açores, antes da invasão do Iraque. Gostava que me explicassem como poderia Portugal dizer "não" ao bloco ocidental? Que eu saiba já começamos a fazer prospecção de petróleo mas ainda não o encontramos.

Tapar a vergonha

«As mulheres sauditas só devem mostrar um olho», disse Muhammad al-Habadan, iluminado saudida numa“fatwa” (édito religioso) proposta por si. O xeque, ultra-conservador, não quer que as meninas, mulheres e idosas do seu país olhem o mundo actual com as duas vistas. Propõe visão reduzida para espantar males maiores e tentações provocadas pelo nervo ocular...“A revelação dos dois olhos encoraja as mulheres a usar maquilhagem [que é proibida] e atrai demasiada atenção, o que é um comportamento corrupto, em conflito com os princípios islâmicos", sublinhou o douto xeque. Uma delícia esta sentença... se fosse aplicada em determinados movimentos políticos portugueses. "Fruto proibido..."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sobriedade de volta

João Adelino Faria regressou em grande à antena televisiva. Fazia falta a sobriedade, tranquilidade e segurança. A SIC-N que se cuide.

sábado, 4 de outubro de 2008

As baleias e a "emissora do cambado"


Era um petiz e ouvia esta música quase todos os dias, na Estação Rádio da Madeira, vulgo "Emissora do Cambado", no "Quando o telefone toca". Das 22 às 23h, os meus irmãos (mais velhos) não perdoavam. A telefonia, estrategicamente colocada num armário da cozinha, emitia sons agradáveis. "As baleias", de Roberto Carlos, eram um clássico daquela caixa já pintada por diversas vezes pelo meu pai, para esconder os sinais da idade. Tinha uma luzinha azul e demorava a "aquecer". Um encanto que fazia as noites lá de casa mais animadas. É óbvio que a minha opinião não riscava. Os mais velhos impunham a sua vontade. Mas eu gostava. Para relembrar.
*A música é de 1981

O que é nacional é bom

Lisboa-Porto-Lisboa. A viagem de avião faz-se bem, dura 30 minutos e contamos com a simpatia portuguesa de servir um bolinho e uma bebida. Em tão pouco tempo é de louvar a manutenção de uma boa atenção com os passageiros. Ao contrário de outras companhias (Ibéria à cabeça), ainda é possível o "chá, café, laranjada?" a bordo da TAP. Com uma boa rede de metro no Porto já compensa ir de avião até à Invicta. As promoções em http://www.flytap.com/.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Os insuspeitos do regime

Ter uma caneta na mão e um espaço num jornal é perigoso. A exposição mediática é traiçoeira. Ninguém é impoluto, moralmente superior, insuspeito. Todos temos “telhados de vidro”, de maior ou menor gravidade. Tudo muda de figura, se quem tem a caneta na mão escreve artigos de opinião. Há a tentação de discorrer sobre pessoas e os seus comportamentos. Confesso que tenho acompanhado “ao de leve” a polémica atribuição de casas da Câmara de Lisboa. Sei, no entanto, que isso acontece em todo o lado e – pasme-se – não me choca. O que já me causa calafrios – será mesmo? – é ver paladinos da ética, da moral., da esquerda democrática, da inteligência nacional, a usufruir de favores, como se estivessem a dormir debaixo da ponte. O infalível Baptista-Bastos, que nunca mais escreveu uma linha sobre Alberto João Jardim, após um acordo de cavalheiros, que o salvou de pagar uma choruda indemnização ao presidente da Madeira, por ofensas, é um dos felizes contemplados da beneficência camarária. Paga, segundo a Imprensa, 215€ por mês, por um apartamento para os lados da Luz. Não vou cair na facilidade de criticar por criticar. Este senhor, que vi há semanas, com um carro de compras no elitista supermercado do El Corte Ingles, que escreve semanalmente nos jornais, que já foi vedeta de televisão, que publica livros, que bate a sério nos prevaricadores, é o mesmo que tem uma casinha de “favor”? Nada me move contra BB. O que não me impede de lhe aplicar a velha máxima: “quem tem telhados de vidro…”.

PS: Confesso que me custou a colocar esta mensagem no ar, anteontem. Afinal este é um blogue de “Intimidades”. Aguardei pela crónica semanal de BB, no DN de ontem. Decidi avançar. O jornalista-escritor não diz nada, fala como se o estivessem a atacar. Nomeia a tão inglória teoria da cabala e invasão da privacidade. Li que BB comprou uma casa em Constância no ano em que recebeu outra do município de Lisboa. Não sei se é verdade. Mas está escrito e não foi desmentido. Para mim este assunto está encerrado. Com todas as ilações retiradas, claro está. Uma vez mais, meu caro Alexandre O’Neil, você tem razão: «País em que qualquer palerma diz, não, não é para mim este país».

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